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Os judeus e a vida econômica


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Werner Sombart apresenta nesta obra clássica uma análise detalhada da contribuição judaica à instauração do capitalismo. Ao examinar o deslocamento da atividade econômica dos países meridionais para os países setentrionais da Europa entre o fim do século 15 e o fim do século 17, quando o capitalismo se estabelece, percebe vínculo entre esse fenômeno e a migração dos judeus, coincidentemente do sul para o norte do continente.

A busca pela origem do “espírito capitalista” remonta à leitura de Sombart dos estudos de Max Weber sobre a conexão entre puritanismo e capitalismo. Ele passa a ver nos componentes do dogma puritano descritos por Weber, que se originaram no arcabouço de ideias da religião judaica, “importância real” na formação do “espírito capitalista”.

Sombart volta-se em seguida à imigração judaica entre os séculos 15 e 17. E discorda da explicação corrente para o repentino declínio da Espanha, simultaneamente ao crescimento da Holanda, o definhar de importantes cidades da Itália e da Alemanha e o florescer de outras, como Livorno, Hamburgo e Frankfurt, que teriam decorrido da descoberta da rota marítima para as Índias Orientais: “Ao examinar o assunto mais de perto, tive plena certeza de que de fato eram os judeus que promoviam o crescimento em pontos decisivos nas localidades em que estavam e acarretavam o declínio onde se retiravam”.

Em boa parte do livro o autor dedica-se a levantar e demonstrar os atributos e capacidades que levaram os judeus a se destacar de modo tão enfático na construção da moderna economia nacional. Ao longo da História, afirma, procurou-se justificar esse destaque com uma fraseologia precária e antiquada: “coerção externa”, “capacitação para o comércio e a barganha”, “falta de escrúpulos”. Para Sombart, porém, tal capacidade resulta essencialmente da casualidade histórica aliada às características singulares do povo judeu: um povo do deserto, migrante, cálido, que se estabeleceu em meio a povos essencialmente diferentes – “povos frios e molhados, taciturnos e sedentários”.

“A total singularidade do aparecimento do capitalismo moderno é evidenciada por este fato que explica em parte a sua essência: só a combinação puramente “casual” de povos tão díspares e só o seu destino puramente “casual”, condicionado por milhares de circunstâncias, embasou sua peculiaridade. Não haveria capitalismo moderno e nem cultura moderna sem a dispersão dos judeus pelos países setentrionais do globo terrestre!”, escreve o autor.

As condições peculiares em que viviam os judeus na Europa ocidental e na América a partir do século 15 teriam sido definidoras daqueles rumos. Entre essas condições estava o fato de boa parte dos judeus ser constituída de pessoas ricas – o que acabou facilitando a criação das primeiras sociedades e bancos. Os judeus ainda mantinham redes de relacionamento importantes, por terem se espalhado pelos dois lados do Atlântico, o que facilitou a internacionalização dos negócios. Como imigrantes, foram desenvolvendo todos os modos de agir e mentalidades que necessariamente resultam do intercâmbio com “estrangeiros”, o que lhes possibilitou exercitar diuturnamente a “moral do estrangeiro”, à qual foram adaptando toda a conduta comercial.

 

Capa dura.

Editora UNESP.

formato: 16,5 x 23,5
páginas: 520

 

 

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